Em paralelo a existência, temos sempre algumas assimetrias – A verdade necessita ser perseguida, ao contrário da mentira, que nos persegue. A astúcia calculista é vista como diabólica; a espontaneidade, divina. A obrigação cumpre-se, enquanto que o pecado, apenas se comete. O término de uma década é um evento temporal marcante, nos exige reflexão, revisitar metas e estar atento aos erros para que não voltem a ocorrer.   

Essa reflexão também é necessária para o município e para aqueles que vivem nele, afinal por que estamos no atual estado? Por que somos atrasados frente aos vizinhos? Por que temos apenas um hospital? Qual o nosso tamanho? Buscando responder essa pergunta, reuni dados publicados pelo estado de São Paulo acerca de nosso município, reduzirei (Ainda que existentes) as opiniões políticas ainda que cabíveis para uma coluna, e tentarei apresenta-los de forma didática.

O primeiro dado surpreendente é o crescimento demográfico de nossa cidade, ela atualmente conta com aproximadamente 76 mil moradores, o censo realizado em 2010 apontava para algo em torno de 64 mil. Isso representa uma taxa de crescimento geométrica anual de 1,97% para a década e caso continue dessa maneira, a população será de 90 mil pessoas já em 2030. Ao quebrar esses dados por faixa etária, temos: 

Os números nos mostram um crescimento em praticamente todas as faixas de idade (Exceto entre 10 e 19 anos) no quinquênio, além disso, indicam uma importante expansão (6%) de bebês e crianças, bem como um envelhecimento a taxas largas da população – As duas últimas colunas têm taxas de crescimento superiores a 20%. Traduzindo a matemática: As políticas de educação infantil e dos anos iniciais precisam ampliar o número de vagas, a cidade precisa de projetos de acessibilidade bem como instalar instituições e entidades voltados para a terceira idade, como o INSS, e fomentar de maneira inteligente o emprego, visto que a maior parte dos cidadãos estão entre os 20 e 40 anos de idade e integram a chamada População Economicamente Ativa (PEA). 

Sobre o nível de emprego, em 2017, existiam ao todo 37.601 vagas (Uma queda de quase 10% em comparação a 2013), sendo o jovem mais prejudicado pela queda, entre os menores de 24 anos, as vagas caíram em 22%. Além disso, o emprego caiu em torno de 35% na cidade para os menos qualificados (Nível fundamental) e teve um comportamento também decrescente em 17% para os que possuem Ensino Médio 

 O portal “O Anhanguera” divulgou que Cajamar tem a maior renda per capita da região, concomitantemente com a cidade de Barueri, ou seja, se somarmos o que é produzido em nossa cidade e dividirmos pela população, atingiremos um número muito parecido com o nível de países europeus e estaremos entre os lugares mais ricos do país. O culto do PIB se tornou moda em nosso tempo, mas dificilmente discutimos os graus de distribuição do produto ou os indicadores sociais. Mais de 25% da população cajamarense vive em uma situação de alta ou muita alta vulnerabilidade social segundo o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), com insuficiência de renda (Mesmo com um PIB tão elevado), necessidades habitacionais e vulnerabilidade infanto-juvenil. 

4,1% dos jovens abandonam o Ensino Médio antes do fim, o que nos dá a segunda pior posição dentre as cidades da região (Barueri, Campo Limpo Pta., Caieiras, Francisco Morato, Franco da Rocha, Jundiai) ficando atrás apenas de Campo Limpo. Nossa prima Santana de Parnaíba tem o melhor resultado (menos que 1%) com uma administração quase que totalmente municipalizada para esse tipo de ensino. 6% das crianças que nascem no município são de mães que não completaram os 18 anos, o que alerta para a importância da ampliação de projetos de planejamento familiar. Ainda nessa seara, 8% das crianças nascem a baixo do peso, o que implica uma correlação e talvez causalidade com a ausência de acompanhamento nutricional com as gestantes.  

São Bernardo dizia: “Nascer é uma desgraça, viver é doloroso, morrer é uma dificuldade”. Para suportar o fardo da existência, o melhor caminho é o planejamento. A educação atual não nos cabe, o trânsito atual precisa ser revisto, a renda distribuída, a mão-de-obra precisa de qualificação e a semente precisa ser traçada para um dia quem sabe, olharmos para 2020 e dizermos “Foi o ano do berço de uma utopia atingível”. 


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