- publicidade -

Cajamar é a terceira cidade mais desigual da região

Somos a terceira cidade de nossa região com o maior nível de desigualdade nos termos do Índice de L-Theil – quanto maior o índice maior a desigualdade do município

Foto da enchente em março de 2016 no município de Cajamar.
- publicidade -  

Por Francisco Thainan

Muito bem, chegamos ao período de reflexão sobre nossa vida, mais um ano findado e o inicio de uma nova era, apesar de acreditar que muitos aproveitam a data para encher a “cara” e não pensar, planejar e se quer conversar com seus familiares (não que isso seja um problema). O curioso é que a partir de 731 A.C. o calendário romano tinha seu final no mês de Februário (em homenagem a Fébruo – deus da morte e da purificação), esse mês era reservado pelos antigos justamente para se pensar e refletir nos atos que afastavam cada indivíduo de sua própria purificação. O Calendário foi reformado mais algumas vezes, chegando ao formato que conhecemos hoje, e o bom hábito de reflexão está perdido dentro dos sorrisos e votos superficiais (que todos fazemos) de “Feliz Ano Novo”.

- publicidade -  

Histórias a parte, uma coisa me incomoda no município de Cajamar, a profunda desigualdade em que nos encontramos. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) somos a terceira cidade de nossa região com o maior nível de desigualdade nos termos do Índice de L-Theil – quanto maior o índice maior a desigualdade do município – Graficamente:

Estamos atrás apenas de Santana de Parnaíba, que conta com uma concentração elevadíssima mas que pode ser explicada pelos condomínios “Alphaville” em sua região, e de São Paulo que é simplesmente a maior capital do país. Quando comparamos a renda dos 10% mais ricos com os 40% mais pobres dos municípios, temos:

O segundo gráfico apenas confirma o que o primeiro nos informou, trazendo uma curiosidade a mais, que a razão entre as rendas apontada para o município é de 20,38. Em outras palavras, uma pessoa que está dentro do grupo dos 10% mais ricos da cidade ganha em média 20 vezes o que um trabalhador humilde que está presente no grupo dos 40% mais pobres da cidade recebe.

A realidade é que somos um município que em essência é rico, temos o 22º maior PIB per capita do País, atrás apenas de cidades com atividades econômicas extremamente lucrativas, como as relacionadas ao petróleo no Espirito Santo e a exportadora com ênfase na agropecuária no Mato Grosso. A nível estadual em termos per capita somos a 5º mais rica.

A desigualdade não se apresenta como um problema em si, e de fato não é. O principal problema é como se chega nela. A SABESP, por exemplo, cobra de grande parte do município taxas referentes a coleta e tratamento de esgoto quando na realidade esse serviço não é prestado para a maior parte da população, e isso é um agravante serio que tem relação direta e indireta com a desigualdade, explico:

A primeira consequência da não tubulação do esgoto pode ser mostrada na foto tirada na época de chuva de 2016, na rua onde moro:

As famílias afetadas perdem grande parte dos móveis de sua casa e têm a estrutura de suas construções danificadas, o que faz com que o dinheiro poupado e que deveria ser direcionado para lazer, férias ou até mesmo para montar um novo negócio, tem de ser gasto com a renovação do próprio lar. Apesar de tudo isso esse não é o principal impacto, segundo Eduardo Giannetti, 87% da energia metabólica de uma criança de 1 a 3 anos é direcionada para a formação do cérebro e quando a criança fica exposta a água contaminada, os riscos de contração de uma doença como a diarreia são enormes. Em decorrência disso, a energia que era para formar o cérebro se concentra no tratamento da doença, e as crianças futuramente podem sofrer com hiperatividade, déficit de atenção, problemas de interpretação, além de outros causados por essa mesma enchente.

O resultado está presente no que lhe damos no cotidiano, temos grandes empresas que contratam pessoas de Cajamar, todavia, para cargos manuais (com raras exceções), enquanto que os cargos de planejamento e gestão são direcionados para pessoas com melhores formações. A Natura por exemplo, tem o principal escritório localizado na Lapa no condomínio Business. Enquanto isso essas mesmas empresas possuem isenções de impostos extraordinárias por trazer benefícios ao município, enquanto temos hospitais parados, contas públicas deterioradas e o transporte universitário com risco de ser cortado, o que traz a pergunta: isso vale a pena?

Claro que a corrupção também afeta as contas, o problema é que a ineficiência está jogando o futuro de nossos jovens no lixo, a cidadania não é simplesmente votar e ser votado, não é reciprocidade, é uma condição humana que possui deveres e também necessidades a serem supridas.

Francisco Thainan é estudante do 4º Ano de Economia da PUC-SP e intercambista com Bolsa Mérito da Universidade de Coimbra.


COMENTE ABAIXO

Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.

- publicidade -