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O Sistema Cantareira atingiu o seu maior nível de água nos últimos cinco anos. Neste sábado, os reservatórios operavam com 63,3% da capacidade de volume útil, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O índice é o melhor desde 2012, quando o volume dos reservatórios sofreu uma queda vertiginosa que culminou na maior crise hídrica dos últimos 80 anos e levou ao racionamento de água em diversas cidades abastecidas pelo manancial. A recuperação foi possível graças a maior ocorrência de chuvas na região desde 2015. Especialistas alertam entretanto que é preciso continuar investindo em sistemas de armazenamento, no tratamento de efluentes e nas ações de conscientização.

No dia 31 de janeiro de 2012, o Cantareira tinha um volume armazenado de 75,8%. Em janeiro de 2013, o índice já era bem menor, 52,3%. Em 2014, no mesmo período era de 22,2% e em 2015 chegou a 5,1%. A partir deste mesmo ano começou a recuperação. Em 31 janeiro de 2016, o sistema já operava com 16,1% da capacidade de volume útil, chegando a 63,3% ontem, com 908 milhões de metros cúbicos (m³) de água armazenados.

A Sabesp considera atualmente três índices de medição. O primeiro considera o volume armazenado, incluindo as duas cotas do volume morto, dividido pelo volume útil do sistema. Ontem, este índice estava em 92,5%. O segundo índice é calculado com base no volume armazenado na capacidade total, incluída a área do volume morto. Já o terceiro índice leva em consideração o volume armazenado, menos o volume morto, dividido pelo volume útil dos reservatórios.

Chuva

Em janeiro, segundo a Sabesp, a pluviometria acumulada do Sistema Cantareira foi de 393,1 milímetros (mm). A média histórica do mês é de 262,6mm. Fevereiro ficou abaixo do esperado com a pluviometria acumulada de 94,2mm — a média histórica é de 203,4mm. Pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) Jurandir Zullo Jr., afirma que as perspectivas para este mês, que encerra o período chuvoso, são positivas. “Março não é tão chuvoso como dezembro e janeiro, mas também é um mês de chuva. Temos a probabilidade de atingir a média histórica ou até superar um pouco porque estamos com uma condição mais favorável para formação das pancadas de chuva”, disse.

Professor da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo explica que a situação é bem mais confortável, mas é preciso lembrar que os próximos seis meses serão de seca. “A partir de abril, as entradas passam a ser menores que as saídas e isso deve consumir o volume armazenado até setembro”, afirma. Segundo Zuffo, ainda estamos reféns do clima. A partir da crise, segundo ele, houve uma redução real do consumo de água, o que tem auxiliado na preservação dos volumes armazenados nos reservatórios e traz um pouco mais de segurança. Ele ressaltou uma série de medidas que podem aumentar a segurança hídrica, entre elas a construção de mais reservatórios e o tratamento da água.


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