Uma droga usada há anos para controlar o Alzheimer se mostrou promissora, em estudos com animais, para evitar o efeito devastador do vírus zika no sistema nervoso central de fetos, durante a gestação. A pesquisa, desenvolvida pelo professor Mauro Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais, foi apresentada nesta quarta-feira, no Simpósio Internacional de Zika, que acontece na Academia Nacional de Medicina, no Centro do Rio.

— Não se trata de um antiviral. Esse fármaco impede a doença, ou seja, a morte neuronal, reduzindo o dano no cérebro. O ideal é que ele seja combinado a um antiviral, quando se desenvolver um. Mas ainda precisamos de mais testes para comprovar sua segurança em gestantes e eficácia — ressaltou Teixeira.

Com testes mais avançados, uma vacina de DNA contra o zika desenvolvida pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos também mereceu destaque no evento organizado pela Fiocruz.

Segundo a cientista da UFRJ Leda Castilho, que participa do grupo de pesquisa nos Estados Unidos, a vacina começou a ser testada em humanos no dia 3 de agosto:

— Os resultados obtidos em macacos foram muito bons, com 94% protegidos. Os primeiros dados dos testes com humanos devem sair no início de 2017.

Esta semana, a Fiocruz Bio-Manguinhos conseguiu a liberação da Anvisa para comercializar um teste rápido de zika, que pode identificar, em 20 minutos, se o paciente está com o vírus ou se o contraiu em algum momento da vida.

O teste inicialmente será produzido apenas nos Estados Unidos, mas poderá ser importado e rotulado no Brasil em cerca de 30 dias. Posteriormente, ele poderá ser fabricado no país.

O Ministério da Saúde informou que comprou 3,5 milhões de testes semelhantes do laboratório público Bahiafarma e que eles estarão disponíveis a partir deste mês na rede pública.

De acordo com a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria estadual de Saúde, entre 1º de janeiro a 11 de outubro deste ano, foram notificados 65.393 casos suspeitos de zika no estado do Rio, com três mortes registradas no primeiro semestre. Desde o início do monitoramento, até o último dia 29 de outubro, 145 casos de microcefalia associados a infecções congênitas foram confirmados no estado. Outros 387 casos de microcefalia estão em investigação para definição das causas e 264 foram descartados, seguindo os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.


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