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O depoimento de Lula ocorreu no Aeroporto de Congonhas, na Capital, e durou três horas.

Do Portal eCAJAMAR, com Correio.com

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no depoimento à Polícia Federal que frequenta o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, alvo da investigação da Operação Lava Jato, “menos do que gostaria”, e que tinha a chave do imóvel. O petista disse ainda que os empresários João Suassuna e Fernando Bittar, filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar, compraram a propriedade para garantirem a ele um “lugar para descansar”.

O documento com a transcrição do depoimento na íntegra de Lula, fornecido no dia 4 de março, foi anexado nesta segunda-feira ao processo que apura a origem e as reformas do sítio e do triplex no Guarujá, frequentados pelo ex-presidente.

Procuradores suspeitam que as obras teriam sido bancadas por empresas que fatiavam ilegalmente obras na Petrobras. O megaesquema de corrupção ocorreu de 2004 a 2014. O Ministério Público Federal apura também se Lula recebia recursos desviados da estatal, embutidos em pagamentos de palestras que ministrava em empresas e em doações ao Instituto Lula.

Na transcrição do depoimento, Lula afirmou que não percebeu que o sítio havia passado por reformas. O depoimento de Lula ocorreu no Aeroporto de Congonhas, na Capital, e durou três horas.

Quando o delegado da Polícia Federal começou a questionar sobre o sítio, Lula disse que gostaria de falar pouco sobre o imóvel. “Eu, na verdade, quero falar pouco do sítio, porque eu não vou falar do que não é meu. Quando vocês entrevistarem os donos do sítio eles falarão pelo sítio”, respondeu o ex-presidente. Mas ao ser questionado com qual frequência ele vai ao imóvel, ele responde: “Menos do que eu gostaria”. Depois complementa, explicando que frequentava o imóvel de uma a duas vezes por mês, e que soube da existência da propriedade logo após chegar à Presidência, em janeiro de 2015.

O petista disse ainda que pretende continuar frequentando o local. “Pretendo continuar visitando se não destruírem o sítio, porque tudo que os companheiros que compraram o sítio fizeram foi tentar garantir que eu tivesse um lugar pra descansar. Porque você sabe que eu não tenho”, disse. Segundo o ex-presidente, a ideia de seus amigos era também que ele tivesse um local para guardar as “tralhas” que ganhou durante seus dois mandatos. “É muita tralha que a gente ganha.”

Pedalinhos

Lula afirmou também que tinha a chave do sítio, mas que ligava para Fernando Bittar e avisava quando ia até o local. O ex-presidente admitiu que Marisa Letícia, sua mulher, comprou os pedalinhos para o sítio, e completou: “Eu fico chateado de ver um delegado de Polícia Federal se preocupar com um pedalinho”. Os pedalinhos custaram R$ 5,6 mil e foram pagos pelo subtenente do Exército Edson Antonio Moura Pinto, membro da comitiva vitalícia para segurança de Lula, um serviço concedido pelo governo federal a todos os ex-presidentes.

Sobre a reforma, Lula falou que não percebeu as obras no sítio, em janeiro de 2011. “Quando o senhor tomou conhecimento, o senhor falou que foi em janeiro de 2011, da questão do sítio, o senhor percebeu quando o senhor foi visitar, salvo engano, ali em meados de janeiro, que havia uma reforma recente no sítio, ele foi comprado e reformado?”, perguntou o delegado da polícia federal. “”Não, eu não percebi que tinha reforma, nada no sítio”, respondeu.

De acordo com a transcrição, no momento que Lula é questionado sobre o suposto envolvimento do pecuarista José Carlos Bumlai na reforma do sítio, o ex-presidente fez sinal negativo com a cabeça. O pecuarista é amigo de Lula e está detido em Complexo Médico-Penal, na Região Metropolitana de Curitiba. Bumlai foi preso em novembro de 2015, na 21ª fase da Lava Jato.

O pecuarista intermediou ainda um empréstimo de R$ 12 milhões que teria sido utilizado no pagamento de campanhas municipais em 2004. Parte do dinheiro teria vindo para a campanha do prefeito cassado de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT).


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